Cidade do RN tem mais beneficiários do Auxílio Emergencial do que moradores


Machucado pela seca, o município de Severiano Melo tem fontes de renda incertas. A atividade econômica mais importante é a cajucultura – e, quando há chuva, a terra do caju, como é conhecida na região, registra fartura na colheita e aquece sua economia. Em outubro, a cidade comemora com a tradicional festa do caju, agradecendo pela colheita. Neste ano, apesar da boa época chuvosa, a pandemia não permitiu que a comemoração acontecesse.

Severiano Melo é uma cidade marcada pelo êxodo populacional. No último censo do IBGE, em 2010, a cidade de Kananda tinha 5.752 habitantes; hoje a estimativa é de 2.088. A explicação para essa redução é a saída da população em busca de estudo, emprego e renda. Mas muita gente mantém o título de eleitor na cidade mesmo depois de se mudar e, com isso, Severiano Melo tem mais eleitores registrados – 6.482 – que habitantes. Pelo mesmo motivo, o número de beneficiários do Programa de Auxílio Emergencial – 2.910 – também supera a população. Há beneficiários que já não vivem na cidade, mas, no programa assistencial, deram como endereço oficial a cidade de Severiano Melo.

Em Severiano Melo, assim como nos municípios que conseguiram movimentar a economia com o programa, a maioria dos 2.910 favorecidos pelo auxílio se cadastrou por meio dos programas sociais, acumulando os dois rendimentos. Só 573 beneficiários se inscreveram pelo aplicativo.

Desde abril, o auxílio é como uma redenção em cidades mais pobres, principalmente no Norte e Nordeste, suprindo a queda na renda causada pela paralisação do comércio com a pandemia do novo coronavírus. Um estudo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) notou que o programa teve impacto maior nas localidades que registram um número mais alto de cadastrados através de programas sociais que, normalmente, são cidades mais pobres do Norte e Nordeste.

Os estados com maior percentual de adesão ao auxílio em relação ao número de habitantes são Sergipe (66%), Piauí (40%), Bahia (39%), Pará (38%) e Maranhão (38%), segundo dados do Ministério da Cidadania. Todos os estados do Nordeste estão, pelo menos, nas quinze primeiras colocações.

Ecio Costa, professor de Economia da UFPE e um dos autores da pesquisa, avalia que o programa cumpriu seu papel mas que, ao contrário de um programa de renda mínima, tende a suprir as necessidades em período curto de tempo. “O auxílio foi concebido para atender uma necessidade urgente. É diferente de um programa de renda mínima. O governo federal tem tentado implantar um desses programas no ano que vem, mas isso pode trazer impactos na economia e na estabilidade do país que já está comprometida”, ressalta.


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