BOLSONARO DÁ MÃO SUJA PARA ELEITORA BEIJAR, EM MEIO A OUTRA AGLOMERAÇÃO

Bolsonaro, acompanhado do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), ambos médicos e defensores do regime de distanciamento social, foi ao encontro de apoiadores que se aglomeravam, cumprimentou populares e chegou a receber um beijo na mão que não foi higienizada.

Ora usando máscara higiênica, ora não, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) descumpriu, mais uma vez neste sábado, as normas de distanciamento social exigidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde do seu próprio governo. Bolsonaro viajou à cidade goiana de Águas Lindas, a a 56 quilômetros de Brasília, para visitar a construção do hospital de campanha que atenderá aos pacientes com a covid-19.
Bolsonaro, acompanhado do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM) — ambos médicos e defensores do regime de distanciamento social — foi ao encontro de apoiadores que se aglomeravam, cumprimentou populares e chegou a receber um beijo na mão que não foi higienizada, após cumprimentar dezenas de pessoas na aglomeração. A mesma com que costuma limpar o nariz.
Explicação
Mandetta e Caiado não acompanharam o presidente no contato com os seguidores, ao contrário dos ministros Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, e Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura. Ramos e Freitas, no entanto, permaneceram de máscara. Perguntado por repórteres do porquê não acompanhar o chefe, Mandetta disse que segue as orientações de distanciamento social.
— Eu procuro seguir uma lógica de não aglomeração — afirmou.
Caiado, por sua vez, afirmou que o presidente é que deveria se explicar.
— Essa posição não foi a minha — repreendeu.
Beijo na mão
Mandetta disse, ainda, que a orientação de distanciamento social vale para todos os brasileiros. Para ele, as pessoas que descumprem o isolamento serão as mesmas que se lamentarão pelo coronavírus. Ao ser questionado sobre a atitude de Bolsonaro, de buscar o contato com as pessoas, se a recomendação vale para ele também, o ministro da Saúde se limitou a responder.
— Vale para todos os brasileiros — desconversou.
Bolsonaro foi de helicóptero até o município goiano, onde chegou por volta das 11h30. Embora o compromisso não constasse da agenda oficial e não fosse permitida a presença de repórteres, a imprensa cobriu o evento. Na comitiva, todos chegaram de máscaras de segurança.
Um grupo de cerca de 50 pessoas se aglomerou para ver o presidente. Sem máscaras, elas chamavam Caiado de traidor, sob o sorriso sempre presente de Bolsonaro, que cumprimentou eleitores e tirou fotos. No início da caminhada, ele estava de máscara, mas tirou a proteção ao parar para distribuir autógrafos. Uma apoiadora chegou a beijar a mão do mandatário, a mesma que usou, na véspera, para limpar o nariz e cumprimentar uma idosa, que disse ser sua eleitora.

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