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Morro do Careca, cartão postal do RN, tem erosão e risco de desmoronamento, diz secretaria

Foto: Vinícius Marinho/Inter TV Cabugi

A erosão acelerada do Morro do Careca, cartão postal de Natal, causa riscos a turistas e potiguares frequentadores da praia de Ponta Negra, na Zona Sul da cidade. Ao longo dos últimos anos, a duna tem dado espaço para uma falésia, o que aumenta a probabilidade de desmoronamentos.

A informação é do geógrafo José Petronilo da Silva Junior, da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (Semurb), que preparou um relatório sobre a situação do morro por determinação do Ministério Público Federal.

Segundo o relatório, blocos com volume que ultrapassam 2m³ se desprenderam da estrutura, em março, mas ninguém se feriu.

O documento ressalta que a área pertence à União e sugere a notificação da Defesa Civil Nacional para lidar com o problema.

“Diante do risco eminente, a celeridade erosiva sugere-se uma avaliação pormenorizada da estrutura geológica da área. Considerando que o cargo de geólogo inexiste na Semurb, bem como considerando a área se tratar de patrimônio da união, pois pertence ao Centro de Lançamento de Foguetes Barreira do Inferno (CLBI), entendemos, a princípio, como importante a provocação da Defesa Civil Nacional para que a mesma tome conhecimento da problemática ora em processo, bem como viabilize uma ampla avaliação sobre os possíveis riscos aos transeuntes da Praia de Ponta Negra, bem como atue com providências cabíveis para a salvaguarda dos cidadãos”, diz o relatório.

O relatório técnico foi resultado de uma vistoria realizada por representantes da prefeitura de Natal e da Marinha em fevereiro.

Processo natural

 O  geógrafo explicou que a duna se formou em cima de uma falésia, em um processo que teria durado milhares de anos. Porém, ela também estaria se desfazendo por meio de um processo natural, potencializado pela ação humana de décadas atrás.

“A vegetação cresceu na parte de trás do morro, na praia de Alagamar, e, com isso, parou se chegar sedimentos para realimentar a duna, na parte da frente. Isso somado ao avanço do mar, que retira areia da praia, cavando as barreiras que tinha embaixo”, explicou.

Até 1997, quando houve proibição, turistas e moradores da cidade subiam livremente o Morro do Careca, o que teria causado aumento da faixa de areia sem vegetação. “Se ainda houvesse essa cobertura vegetal, mesmo com a erosão atual na base do morro, as raízes iriam segurar os sedimentos”, considerou o geógrafo.

 G1/RN